Vale a pena gerir a diversidade?

Vale a pena gerir a diversidade?

Quanto podemos aprender com as diferenças!
Por que somos como somos? Quais os fatores que contribuíram para a formação do nosso modelo mental? Enxergamos o mundo e vivemos as experiências tão diferentemente. Alguns dicionários definem diversidade como a qualidade de diverso, como variedade, como multiplicidade.
A criança, em seus primeiros anos de vida é autêntica e genuína. Fala o que pensa, pergunta o que quer saber de forma espontânea, leve e até engraçada, às vezes. Em sua ingenuidade e autenticidade, não conhece – e nem se preocupa – com as crenças e os valores, se algo está certo ou errado, se pode ou não pode, nem tão pouco com o que os outros pensarão a respeito de suas atitudes. Ou seja, a criança atua sem filtros, sem se limitar por regras ou padrões sociais institucionalizados.
À medida que crescemos, somos estimulados a pensar antes de falar, agir ou interagir. Somos confrontados com os dilemas morais e éticos, com os parâmetros familiares do que seja o certo e o errado. Passa a incomodar-nos o julgamento das pessoas a nosso respeito. Acentua-se a preocupação de adotarmos as crenças e os valores que nos foram impostos durante a nossa vida. Logo, nos afastamos da nossa essência, deixando de valorizar o que é genuíno e nós. Cresce em nós, involuntariamente, a importância das aparências. Abdicamos da leveza para abraçar a complexidade inconveniente e inoportuna.
Na vida adulta, desenvolvemos os laços sociais e as incursões na vida profissional, chegando a constituir uma família. Contudo, há uma carga emocional e considerável aprendizado racional implícitos nesse processo. O novo contexto é o acúmulo daquilo que recebemos, desde os primeiros dias de vida, até agora, nossas verdades, nossa zona de conforto, o mundo, tal como nós o admitimos.
Deparamo-nos, ao longo do caminho, com pessoas provenientes ambientes e contextos distintos, com educação, crenças e valores diferentes dos nossos e sob influências geográficas alheias às nossas. Logo, considerando a origem e intensidade das experiências, somos indivíduos completamente diferentes uns dos outros. Cada um vê o mundo sob o prisma de suas vivências, através das únicas lentes dos óculos que porta, contemplando a vida por suas próprias referências.

O que é diferente não é melhor nem pior, apenas diferente.

Na minha experiência profissional, tive a oportunidade e o privilégio de viver, conviver e experienciar a vida em vários contextos geográficos. Aprendi a apreciar a riqueza da experiência multicultural e o potencial da diversidade. Entender a multiculturalidade e trabalhá-la é relevante. Procurar agir sob a referência de um olhar inclusivo requer esforço e dedicação. Exige, sobretudo, a prática genuína da empatia e do respeito. É um constante exercício de nos colocarmos no lugar do outro, calçarmos os seus sapatos e vermos o mundo a partir de um novo ângulo. É considerarmos que existem outras hipóteses, outras formas de desenvolver uma atividade, permitindo-se pensar para agir de modo diverso.
Como cita o cientista Huberto Rhoden, a palavra Universo é a soma de Uno, de unidade, e Diverso, de diversidade. O universo sideral é único e é diverso. O universo hominal – o ser humano – também, único em si mesmo, posto que nenhum é igual a outro, e diverso. Apesar de regidos esses dois universos pelas mesmas leis físicas, há apenas uma diferença entre eles. O universo sideral é tido como um sistema automático, onde ninguém decide o nascimento de uma estrela. O universo hominal não é automático. O homem recebeu algo que jamais lhe será tirado, o Livre Arbítrio. Suas escolhas definem sua trajetória.
A multiplicidade de culturas promove a critividade, desenvolve a tolerância e promove a abertura do pensamento. A interação de um conjunto de indivíduos, provenientes de diversos contextos, proporciona a inovação, aumenta a competitividade, a flexibilidade e a capacidade de ultrapassar obstáculos, estimulando o aprendizado a partir de realidades diferentes.
Contudo, o que podemos verificar em vários ambientes corporativos, tanto no Brasil como em outros países, é uma relação difícil, conflituosa, permeada por desentendimentos e fricções de várias ordens, por falta do amplo entendimento das culturas. Falta-nos observar o mundo pela perspectiva do outro: suas experiências, seu contexto, suas crenças e seus valores.

Ninguém pode dar o que não tem

A falta de sensibilidade para um tema extremamente rico e importante, de multiculturalidade, pode representar grande e comprometedor percalço para o homem. Da eficiente gestão de pessoas depende uma organização. Incentivar boas práticas de convívio, compreendendo a diversidade, principalmente, humanizará as empresas e fomentará o clima organizacional colaborativo, privilegiando a cooperação em contraposição à competição.
Num contexto de crescente globalização, a não-tolerância ou o não-entendimento da riqueza e do potencial das interações individuais promovem um ambiente social, organizacional e pessoal onde ninguém ganha.
Somos estimulados a “aprender fazendo” e a diversidade multicultural, quando assimilada e gerenciada será uma importante alavanca para um ambiente positivo, versátil, flexível, inovador, criativo e altamente produtivo.

“No meio da confusão, encontre a simplicidade. A partir da discórdia, encontre a harmonia. No meio da dificuldade existe a oportunidade”.
Albert Einstein

Master Coach Sandra Raphael

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